sexta-feira, 23 de junho de 2017

Onda crescente de violência no Pará sobrecarrega judiciário e testa capacidade de investigação da polícia



Tribunal de Justiça do Pará criou mais uma vara para julgar homicídios diante de tantos processos. Só nos primeiros 19 dias de junho, quase 230 homicídios foram registrados no estado.
Foto: Ilustração


DO G1 PA

Os números da violência assustam os moradores de Belém e de cidades do interior do estado. Só nos primeiros 19 dias do mês de junho, quase 230 homicídios foram registrados no estado, o que representaria uma média de 11 pessoas assassinadas, por dia, no Pará. A situação vem provocando a sobrecarga do judiciário paraense e colocando à prova a capacidade de investigação da Polícia Civil em dar conta de tantos casos ao mesmo tempo.

Enquanto isso, as famílias relatam a dor de perder parentes em mortes violentas. Esse foi o caso de Edejane Gonçalves, que teve o filho de apenas 18 anos, Samuel Gonçalves, assassinado no bairro da Guanabara, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Em maio do ano passado, ele caminhava de volta para casa, após uma partida de futebol, quando um carro se aproximou dele e criminosos dispararam vários tiros contra o jovem.

"Ele era tão caladão aqui em casa com a gente, mas as pessoas que conviveram com ele, falam da alegria, da vontade de viver dele das coisas que ele queria fazer, como queria me ajudar", relata a mãe do estudante que sonhava em ser professor de educação física.

Em apenas seis meses, cinco chacinas aconteceram no Pará deixando um saldo de 56 pessoas mortas. A onda crescente de mortes dificulta o trabalho de investigação da polícia para solucionar os casos. A instituição conta com quase dois mil e 700 policiais civis, mas a Assossiação de Delegados de Polícia (Adepol) afirma que diz que o ideal seria mais que o dobro.
"O número de facções organizadas, principalmente do tráfico de drogas, cresceu muito na nossa cidade, no nosso estado e a polícia ficou paralisada em nível de investimento", denuncia João Paiva, secretário geral da Adepol.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup) informou que em relação ao déficit de policiais, um concurso para a contratação de 650 novos policiais está em fase adiantada e a previsão é de que o processo seja concluído, ainda, este ano.

O criminoso que matou o filho de Edejane não foi identificado pela polícia, mas o inquérito foi concluído e segue na Justiça. O Movida, movimento que apoia os parentes das vítimas da violência, em Belém, acompanha o caso.

"Nós não temos a pena de morte na nossa constituição, mas na prática estamos vendo isso acontecer, ou seja, é uma total ignorância dos poderes legalmente constituídos, isso assusta todos nós enquanto sociedade", afirma Iranilde Russo, coordenadora da entidade.
Diante desse cenário, no ano passado, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) criou mais uma vara de homicídios, em Belém. Eram três e agora são quatro para julgar os processos que não param de chegar na mesa dos juízes.

"Nós temos um aumento muito grande de processos criminais e uma estrutura que nós ainda não damos conta de dar vazão", explica o juiz Cláudio Rendeiro.
"O que me deixa mais triste nessa situação toda é que apesar de todas essas lutas em busca de paz, a gente sabe que não vai trazer a pessoa que a gente ama de volta. E quantas pessoas há aí cometendo atrocidades e continuam cometendo mais e mais, e nada é feito", lamenta a mãe de Samuel.
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